Poderia escrever sobre como eu acordei mau-humorada hoje;
Sobre a minha eterna guerra com a balança por causa de 3 malditos quilos;
Sobre como estou cansada, sem dinheiro;
Poderia escrever um tratado sobre o amor que não tenho tempo pra viver intensamente, os lugares que não conheço, os amigos que desapareceram, minha infância, minha família;
Sobre os filhos que um dia quero ter, minha eterna falta de tempo;
Sobre os três cabelos brancos que insistem em nascer sempre no mesmo lugar e que são arrancados cuidadosamente por mim;
Sobre meus sonhos, minha formatura, a casa azul, ir dormir e acordar nos braços Dele,
Poderia dizer o quanto eu gostaria que fosse verão, pra ir pra praia, sentar na areia, curtir um por-do-sol, andar descalço, tomar banho de mar e sorvete;
Seria interessante escrever sobre meus pacientes e tudo aquilo que aprendo com cada um deles, sobre o que ando estudando, luto e todas as reflexões que esse assunto me trás;
Poderia escrever algo engraçado, sobre como a minha calça do pijama desapareceu, minha mania de não comer nada verde, ou ainda, irônico, como as novas normas no meu emprego;
Quem sabe falar até sobre minhas crenças, as quais odeio discutir, sobre musica, cinema, artes;
Dava pra deixar de ser egoísta e falar dos problemas do mundo, da nossa sociedade decadente, dos que morrem de fome, dos desempregados, de política, do desrespeito com a natureza, com a dignidade humana!
Mas nada disso serve…
Às vezes tudo que cabe é um silencio, um gesto, um olhar! E agora chega, me enchi… de tanto dizer e nada, absolutamente nada, falar!
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Dormi pouco, tinha um cardume de pernilongos mutantes no meu quarto, além de serem imunes a venenos e ao frio, me presentearam com uma adorável serenata!
Acordei atrasada e além de estar com o nariz costurado, tem uma espinha do tamanho do Pico Everest no meu queixo e uma irritação no meu olho, que me impede de usar lentes, o que conseqüentemente me deixa meia cegueta!
Peguei dois ônibus lotados;
Meu primeiro paciente vomitou em mim,
O segundo me xingou de algumas dezenas de nomes “feios” (a maiorias dos quais eu nem conhecia),
E o terceiro, “o incendiário”, tentou colocar fogo no hospital comigo dentro é lógico!
Ao chegar ao trabalho descobri que tem uma reunião extraordinária marcada paras às 14h.
Sem contar que tenho que entregar parte de um relatório hoje até a meia noite e não fiz nem a metade-da-metade!
Algo me diz que o dia está apenas começando!
Às vezes eu acho que os Deuses se divertem as minhas custas, outras eu acho que isso sim é que é viver!!
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Sou a caçula, a diferença de idade com meu único irmão é de 6 anos…
Como toda boa caçula, fui mimada, adorada e criada como uma bonequinha de porcelana (que na verdade de boneca tinha pouco e de porcelana menos ainda)!
Infelizmente acreditava que ser filha única deveria ser a melhor coisa do mundo, queria e precisava me livrar de meu espaçoso irmão, que dividia o centro das atenções comigo, não deixava eu brincar com seus carrinhos e ainda me roubava na divisão das guloseimas da casa… Sim, confesso, já travei verdadeiras batalhas por causa de refrigerantes, iogurtes e chocolates!
Houve épocas em que ele era o meu único companheiro de divertidas brincadeiras, houve outras em que fui humilhada e esnobada por ele e seus amiguinhos.
Quando crescemos, ele se interessou por outras coisas, e se casou…
Conquistei tudo o que desejava desde então, o controle da TV, o melhor sofá para tirar um cochilo, a atenção exclusiva de meus pais, a casa (e a geladeira) todinha pra mim e ganhei também a monotonia, a falta, o vazio de não ter com quem implicar por coisas bobas!
Agora que já tenho meu espaço, minhas próprias preocupações de gente-grande, faculdade e seu pacote estressor (estágios-relatórios-monografia), emprego, TPM, falta de tempo e de dinheiro é claro, e tantas outras coisas… Já penso diferente.
Hoje se pudesse escolher teria uma família bem grande, com vários irmãozinhos (as) para eu odiar, e aprender, e amar.
Agora sou a irmã e cunhada mais adorada (também não poderia ser diferente, já que sou a UNICA), para completar o quadro tenho dois sobrinhos… Ah, a vitalidade das crianças é realmente uma coisa impressionante, 5 e 2 anos são idades realmente capazes de enlouquecer uma tia com pouca experiencia!
É uma peninha que só percebamos o valor de certas coisas quando elas já passaram!
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