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    “É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.” (Clarice Lispector)
 
Retalhos do Cotidiano por GeSa em 29 de Julho de 2003
Poderia escrever sobre como eu acordei mau-humorada hoje;
Sobre a minha eterna guerra com a balança por causa de 3 malditos quilos;
Sobre como estou cansada, sem dinheiro;
Poderia escrever um tratado sobre o amor que não tenho tempo pra viver intensamente, os lugares que não conheço, os amigos que desapareceram, minha infância, minha família;
Sobre os filhos que um dia quero ter, minha eterna falta de tempo;
Sobre os três cabelos brancos que insistem em nascer sempre no mesmo lugar e que são arrancados cuidadosamente por mim;
Sobre meus sonhos, minha formatura, a casa azul, ir dormir e acordar nos braços Dele,
Poderia dizer o quanto eu gostaria que fosse verão, pra ir pra praia, sentar na areia, curtir um por-do-sol, andar descalço, tomar banho de mar e sorvete;
Seria interessante escrever sobre meus pacientes e tudo aquilo que aprendo com cada um deles, sobre o que ando estudando, luto e todas as reflexões que esse assunto me trás;
Poderia escrever algo engraçado, sobre como a minha calça do pijama desapareceu, minha mania de não comer nada verde, ou ainda, irônico, como as novas normas no meu emprego;
Quem sabe falar até sobre minhas crenças, as quais odeio discutir, sobre musica, cinema, artes;
Dava pra deixar de ser egoísta e falar dos problemas do mundo, da nossa sociedade decadente, dos que morrem de fome, dos desempregados, de política, do desrespeito com a natureza, com a dignidade humana!
Mas nada disso serve…
Às vezes tudo que cabe é um silencio, um gesto, um olhar! E agora chega, me enchi… de tanto dizer e nada, absolutamente nada, falar!

Você acha que está tendo um ruim? por GeSa em 22 de Julho de 2003
Dormi pouco, tinha um cardume de pernilongos mutantes no meu quarto, além de serem imunes a venenos e ao frio, me presentearam com uma adorável serenata!
Acordei atrasada e além de estar com o nariz costurado, tem uma espinha do tamanho do Pico Everest no meu queixo e uma irritação no meu olho, que me impede de usar lentes, o que conseqüentemente me deixa meia cegueta!
Peguei dois ônibus lotados;
Meu primeiro paciente vomitou em mim,
O segundo me xingou de algumas dezenas de nomes “feios” (a maiorias dos quais eu nem conhecia),
E o terceiro, “o incendiário”, tentou colocar fogo no hospital comigo dentro é lógico!
Ao chegar ao trabalho descobri que tem uma reunião extraordinária marcada paras às 14h.
Sem contar que tenho que entregar parte de um relatório hoje até a meia noite e não fiz nem a metade-da-metade!
Algo me diz que o dia está apenas começando!
Às vezes eu acho que os Deuses se divertem as minhas custas, outras eu acho que isso sim é que é viver!!

Nariz por GeSa em 10 de Julho de 2003
E no consultório do Otorrino, com um curativo que cobria todo o nariz e o restante do rosto todo inchado.
Senhora-Abelhuda: Você fez alguma coisa no Nariz?
GeSa: É… (não, estou com esse troço porque acho bonito, é a ultima moda não sabia?)
Senhora-Abelhuda: Foi uma cirurgia?
GeSa: Foi… (nossaaa!! Que poder de dedução!)
Senhora-Abelhuda: Mas de que hein?
GeSa: Desvio de Septo
Senhora-Abelhuda:Mas no Nariz??
GeSa: Foi! (não desvio de septo no cérebro! Eu hein!)
E graças a Deus fui salva pelo Médico que me chamou para o atendimento! 
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Meu computador está com problemas…
Dias ele funciona, dias não, o pobrezinho é temperamental, aliás, teve a quem puxar!!


Vivendo e aprendendo por GeSa em 4 de Julho de 2003

Sou a caçula, a diferença de idade com meu único irmão é de 6 anos…
Como toda boa caçula, fui mimada, adorada e criada como uma bonequinha de porcelana (que na verdade de boneca tinha pouco e de porcelana menos ainda)!
Infelizmente acreditava que ser filha única deveria ser a melhor coisa do mundo, queria e precisava me livrar de meu espaçoso irmão, que dividia o centro das atenções comigo, não deixava eu brincar com seus carrinhos e ainda me roubava na divisão das guloseimas da casa… Sim, confesso, já travei verdadeiras batalhas por causa de refrigerantes, iogurtes e chocolates!
Houve épocas em que ele era o meu único companheiro de divertidas brincadeiras, houve outras em que fui humilhada e esnobada por ele e seus amiguinhos.
Quando crescemos, ele se interessou por outras coisas, e se casou…
Conquistei tudo o que desejava desde então, o controle da TV, o melhor sofá para tirar um cochilo, a atenção exclusiva de meus pais, a casa (e a geladeira) todinha pra mim e ganhei também a monotonia, a falta, o vazio de não ter com quem implicar por coisas bobas!
Agora que já tenho meu espaço, minhas próprias preocupações de gente-grande, faculdade e seu pacote estressor (estágios-relatórios-monografia), emprego, TPM, falta de tempo e de dinheiro é claro, e tantas outras coisas… Já penso diferente.
Hoje se pudesse escolher teria uma família bem grande, com vários irmãozinhos (as) para eu odiar, e aprender, e amar.
Agora sou a irmã e cunhada mais adorada (também não poderia ser diferente, já que sou a UNICA), para completar o quadro tenho dois sobrinhos… Ah, a vitalidade das crianças é realmente uma coisa impressionante, 5 e 2 anos são idades realmente capazes de enlouquecer uma tia com pouca experiencia!
É uma peninha que só percebamos o valor de certas coisas quando elas já passaram!


Medo por GeSa em 2 de Julho de 2003

Tem um monstro morando no meu espelho!
Alguém tira ele dali pra mim, por favor?!