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Sobre
“É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.” (Clarice Lispector)
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Quanto era criança eu costumava caçar formigas…
Depois eu as aprisionava dentro de uma caixa de fósforos e as enterrava ainda vivas, demarcando o território com um galho para depois não esquecer.
No dia seguinte, eu ia até o cativeiro para desenterra-las, mas elas nunca estavam lá, sempre encontrava a caixa vazia.
Nunca soube o que acontecia, como elas fugiam…
Às vezes quando estava de bom humor eu colocava uma folhinha de grama para elas se alimentarem e foram muitas às vezes em que elas me morderam, no desespero para tira-las de mim eu as puxava e às vezes suas cabeças soltavam-se do resto do corpo e ficavam grudadas em mim, com aqueles dentes enormes cravados em minha pele.
Aos poucos, sem lembrar ao certo porque, eu parei de brincar disso!
Mas para mim sempre ficou a dúvida: Como elas escapavam? Este pra mim é dos grandes mistérios que a humanidade ainda não conseguiu resolver!
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Odeio andar pelo “centro da cidade” em certas ruas que estão cheias de pessoas entregando panfletos!
Arggg! Odeio aquelas mãos esticadas em minha direção!!
Mas o pior é que não consigo evitar, sempre pego os papelitos. Afinal as pessoas estão trabalhando dignamente!
Quando é alguém mais novo (crianças ou pré-adolescentes) me sinto na obrigação de aceitar tal papelito, mas o golpe de misericórdia é quando me olham nos meus olhos…
Hoje voltei pra casa com a bolsa cheia de papelitos, não vou ler nenhum deles, vão todos para o lixo, mas ao menos me sinto aliviada, colaborando para que alguém ganhe o pão de cada dia… ou talvez apenas me enganado!
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Vai chegando o verão e com ele a corrida maluca atrás do corpo ideal
E com os desligados é sempre a mesma história:
Você se olha no espelho e percebe que todas as guloseimas ingeridas no inverno transformaram-se numa enorme, imensa e descomunal pochete natural!
A primeira reação é a negação, as meninas pensam: “nossa!! Como estou enxada, será que vou ficar menstruada?!” e o meninos concluem: “ué? Será que foi aqueles chopinhos a mais no findi?!”
Passam-se alguns dias e você continua com seus péssimos hábitos alimentares, como se o espelho estivesse mentindo e você não precisasse se preocupar com a chegada eminente do verão (esta é a fase do choque).
Depois você entra na chamada fase do arrependimento, que é marcada por forte tensão psicológica e sentimentos ambivalentes, há culpa por ter se empanturrado de doces e massas, mas mesmo consciente do tamanho do estrago o sujeito acaba comendo um “chocolatinho” para se sentir melhor!
Inevitavelmente, na grande maioria das vezes, chega-se à fase do desespero, onde se faz quinhentas dietas malucas, exercício físico exagerado e até mesmo, no caso dos mais ambiciosos tratamentos medicamentosos ou cirurgias.
O individuo até emagrece… E consegue entrar com muito jeitinho naquele biquíni, sunga ou calção desejados (apesar de as vezes se sentir um pouco apertado ou próximo do ridículo).
Quando o verão acaba ele perde seu interesse pelos alimentos e seus valores calóricos, entrega-se aos prazeres da gula, enquanto seu “panceps” novamente cresce sorrateiramente por baixa de suas roupas de inverno.
Apenas para constar: também estou em estado de “idietisse”!
(belo termo este não?!)
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Este ano não ganhei presentes, dizem que já passei da idade… Mal sabem eles que esta é só mais uma das minhas travessuras, ficar escondidinha num corpo de adulto, rindo da incapacidade dos que não compreendem a alegria de ser uma eterna criança!
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Quando era menor tinha uma melhor amiga
Íamos para escola juntas, sentávamos perto na sala, voltávamos juntas da aula e ao chegarmos em casa ainda nos telefonávamos e ficávamos conversando durante horas.
Sabíamos tudo uma da outra, até os sonhos mais secretos, fazíamos planos para o futuro de batizarmos o filho uma da outra, de sermos sempre amigas não importando a distância.
Prevíamos que o tempo poderia nos afastar fisicamente, mas nunca deixaríamos de ser inseparáveis.
Com o tempo, apesar de ela continuar morando apenas uma quadra da minha, passamos a nos ver raramente e sempre ao acaso, eu continuei (e continuo) sentindo a mesma cumplicidade, o mesmo bem-estar ao seu lado…
Em um desses nossos rápidos encontros ela me falou que iria casar, sobre estar mobiliando o apartamento e de como era verdadeiramente apaixonada - como se faz com amigos, fiquei feliz com ela e por ela!
Soube que teria uma festança e fiquei animada, o casamento é semana que vem, porém o meu convite não chegou! Inevitavelmente fiquei ressentida, não pela festa, mas por querer estar lá pra vê-la realizar este sonho.
Eu sei, é só uma festa, formalidades, e nada vai mudar, pra mim ela continuará sendo a melhor amiga que uma criança pode ter…
Me sinto patética por me importar, mas ainda sim, me importo!
Como é triste crescer e ver que as coisas mudam, as pessoas mudam e principalmente você muda!
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