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    “É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.” (Clarice Lispector)
 
Travessuras com Formigas (ou seriam Torturas?!) por GeSa em 29 de Outubro de 2003

Quanto era criança eu costumava caçar formigas…
Depois eu as aprisionava dentro de uma caixa de fósforos e as enterrava ainda vivas, demarcando o território com um galho para depois não esquecer.
No dia seguinte, eu ia até o cativeiro para desenterra-las, mas elas nunca estavam lá, sempre encontrava a caixa vazia.
Nunca soube o que acontecia, como elas fugiam…
Às vezes quando estava de bom humor eu colocava uma folhinha de grama para elas se alimentarem e foram muitas às vezes em que elas me morderam, no desespero para tira-las de mim eu as puxava e às vezes suas cabeças soltavam-se do resto do corpo e ficavam grudadas em mim, com aqueles dentes enormes cravados em minha pele.
Aos poucos, sem lembrar ao certo porque, eu parei de brincar disso!
Mas para mim sempre ficou a dúvida: Como elas escapavam? Este pra mim é dos grandes mistérios que a humanidade ainda não conseguiu resolver!

Panfletos por GeSa em 23 de Outubro de 2003

Odeio andar pelo “centro da cidade” em certas ruas que estão cheias de pessoas entregando panfletos!
Arggg! Odeio aquelas mãos esticadas em minha direção!!
Mas o pior é que não consigo evitar, sempre pego os papelitos. Afinal as pessoas estão trabalhando dignamente!
Quando é alguém mais novo (crianças ou pré-adolescentes) me sinto na obrigação de aceitar tal papelito, mas o golpe de misericórdia é quando me olham nos meus olhos…
Hoje voltei pra casa com a bolsa cheia de papelitos, não vou ler nenhum deles, vão todos para o lixo, mas ao menos me sinto aliviada, colaborando para que alguém ganhe o pão de cada dia… ou talvez apenas me enganado!

Sobre a “idietisse” e suas vicissitudes por GeSa em 17 de Outubro de 2003
Vai chegando o verão e com ele a corrida maluca atrás do corpo ideal
E com os desligados é sempre a mesma história:
Você se olha no espelho e percebe que todas as guloseimas ingeridas no inverno transformaram-se numa enorme, imensa e descomunal pochete natural!
A primeira reação é a negação, as meninas pensam: “nossa!! Como estou enxada, será que vou ficar menstruada?!” e o meninos concluem: “ué? Será que foi aqueles chopinhos a mais no findi?!”
Passam-se alguns dias e você continua com seus péssimos hábitos alimentares, como se o espelho estivesse mentindo e você não precisasse se preocupar com a chegada eminente do verão (esta é a fase do choque).
Depois você entra na chamada fase do arrependimento, que é marcada por forte tensão psicológica e sentimentos ambivalentes, há culpa por ter se empanturrado de doces e massas, mas mesmo consciente do tamanho do estrago o sujeito acaba comendo um “chocolatinho” para se sentir melhor!
Inevitavelmente, na grande maioria das vezes, chega-se à fase do desespero, onde se faz quinhentas dietas malucas, exercício físico exagerado e até mesmo, no caso dos mais ambiciosos tratamentos medicamentosos ou cirurgias.
O individuo até emagrece… E consegue entrar com muito jeitinho naquele biquíni, sunga ou calção desejados (apesar de as vezes se sentir um pouco apertado ou próximo do ridículo).
Quando o verão acaba ele perde seu interesse pelos alimentos e seus valores calóricos, entrega-se aos prazeres da gula, enquanto seu “panceps” novamente cresce sorrateiramente por baixa de suas roupas de inverno.
Apenas para constar: também estou em estado de “idietisse”!
(belo termo este não?!)

Dia das Crianças por GeSa em 14 de Outubro de 2003

Este ano não ganhei presentes, dizem que já passei da idade… Mal sabem eles que esta é só mais uma das minhas travessuras, ficar escondidinha num corpo de adulto, rindo da incapacidade dos que não compreendem a alegria de ser uma eterna criança!

Melhor Amiga por GeSa em 8 de Outubro de 2003
Quando era menor tinha uma melhor amiga
Íamos para escola juntas, sentávamos perto na sala, voltávamos juntas da aula e ao chegarmos em casa ainda nos telefonávamos e ficávamos conversando durante horas.
Sabíamos tudo uma da outra, até os sonhos mais secretos, fazíamos planos para o futuro de batizarmos o filho uma da outra, de sermos sempre amigas não importando a distância.
Prevíamos que o tempo poderia nos afastar fisicamente, mas nunca deixaríamos de ser inseparáveis.
Com o tempo, apesar de ela continuar morando apenas uma quadra da minha, passamos a nos ver raramente e sempre ao acaso, eu continuei (e continuo) sentindo a mesma cumplicidade, o mesmo bem-estar ao seu lado…
Em um desses nossos rápidos encontros ela me falou que iria casar, sobre estar mobiliando o apartamento e de como era verdadeiramente apaixonada - como se faz com amigos, fiquei feliz com ela e por ela!
Soube que teria uma festança e fiquei animada, o casamento é semana que vem, porém o meu convite não chegou! Inevitavelmente fiquei ressentida, não pela festa, mas por querer estar lá pra vê-la realizar este sonho.
Eu sei, é só uma festa, formalidades, e nada vai mudar, pra mim ela continuará sendo a melhor amiga que uma criança pode ter…
Me sinto patética por me importar,  mas ainda sim, me importo!
Como é triste crescer e ver que as coisas mudam, as pessoas mudam e principalmente você muda!