Todas as semanas, por dois dias, quando volto do meu estagio curricular, tenho que me sentar no terminal de ônibus para esperar por 20 minutos…
No principio esses 20 minutos eram eternos, mas agora são intrigantes;
Gosto de sentar e ficar olhando as pessoas que vem e vão;
Tão diferentes: velhos, crianças, jovens adultos;
Doentes, cansados, cheios de vitalidade, de salto ou de jeans desbotado;
Com pressa ou apenas passeando, indo ou vindo de algum lugar;
Cada rosto, cada olhar, cada um é único…
Cada um com seus sonhos, esperanças, frustrações.
Nada de boas ou más, apenas pessoas, mortais, humanos, com seu lado bom e ruim.
Gosto de ficar imaginando quem são, se tem família, emprego, estudo, afeto…
São todos tão diferentes e tão iguais… Juntos são previsíveis, individualmente são uma incógnita.
Às vezes alguém sorri pra mim, e faz me lembrar que também sou uma deles…
Mais uma;
Apenas mais uma… Com sonhos, esperanças, frustrações… Nem boa, nem má.
|
A verdade é que não importa o horário em que eu pegue o ônibus, todas às vezes eu preciso correr para alcança-lo.
Hoje e especialmente hoje, resolvi inaugurar minha bolsa nova, ela é uma gracinha, estampada e com ares de verão, seria perfeita, não fosse o fato de ficar semi-aberta.
Acontece que na corrida matinal para pegar o ônibus, justamente quando já estava prestes a embarcar na condução, eu tropecei (mas dessa vez eu não caí) e a bolsa escapuliu da minha mão… Assim espalharam-se pelo chão: celular, carteira, baton, escova e pasta de dentes, escova de cabelos, espelho, absorvente, chaves, óculos, entre outras miudezas.
Enquanto eu catava meus pertences do chão, percebi que o ônibus permanecia parado a minha espera, pude sentir dezena de olhos curiosos observando a cena no mínimo patética.
Quando embarquei no ônibus ainda estava constrangida com o incidente, mas procurei agir naturalmente… Sentei-me ao lado de um simpático senhor, que após alguns segundos falou em alto e bom som:
- Mas afinal minha filha, pra que carregar tanto cacareco?
|
Este final de semana estive na terra dos Gaúchos, no Fórum Mundial de Educação, expondo um pôster!
Tirando o banho de chuva,
Eu quase ter congelado,
Me perdido e por conta disso ter que andar 10 quarteirões (de salto e morro acima),
Quase ter sido assaltada,
Ter sido motivo de piadas por causa do meu sotaquezinho de “mané da ilha” (olhó-olhó, tu vê né),
Ter a impressão que as pessoas não entenderam direito o meu trabalho,
Ah! E é claro quase perder as pernas por gangrena, por estarem na mesmo posição num maldito ônibus apertado por 6 horas…
Tirando isso até que eu gostei da experiência!
|