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    “É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.” (Clarice Lispector)
 
Sombrinha Fugitiva por GeSa em 19 de Setembro de 2004
Estava chovendo e ventando, sem dúvidas o dia perfeito para ficar em casa dormindo, mas sua consciência não a deixaria faze-lo.
Arrumou uma carona que diminui consideravelmente o percurso, mas ainda precisava pegar um ônibus.
Quando foi deixada próximo ao terminal, saltou do carro e rapidamente acionou sua sombrinha.
Sempre funcionou, você aperta o botão e ela abre-se rapidamente, mas neste dia não foi assim…
Ao ser acionada, automaticamente se armou e vofluti… Voou em caminho da liberdade.
Ela ficou atônita, com apenas o cabo em sua mão, ensaiou alguns passos para resgata-la, mas o vento foi mais ágil.
Para o estranhamento dos que acompanharam a cena, ela continuou andando, com o cabo em sua mão, como se ainda estivesse protegida da chuva e em seu rosto o esboço do que parecia ser um sorriso.