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Sobre
“É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.” (Clarice Lispector)
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Fui criada numa família católica-não-catolicante, mas meu irmão preferido (e único) casou com filha de pastor e virou evangélico.
Tempos atrás minha cunhada me contou a seguinte história - que deve ser verídica já que ela não costuma mentir:
As pessoas costumam em dias de igreja cheia dar depoimentos de como Jesus mudou sua vida, naquele dia Dona Nadir (nome fictício) pediu ao Pastor para se pronunciar.
Senhora simples a Dona Nadir, devia ter seus 40 anos, era pequena, tímida e carregava no rosto as marcas do que deveria ter sido uma vida sofrida. Subiu ao altar envergonhada, porém determinada a dar seu testemunho. Tremula, segurou o microfone, gaguejou ao dar boa noite aos presentes e iniciou sua história.
- Irmãos quando eu me casei passei por momentos difíceis, era muito pobre e meu marido… Pigarreou, parou por uns instantes procurando as palavras e continuou: … meu marido, todo dia a noite, vocês sabem: acontecia!
Neste instante, as pessoas começaram a se olhar desconfiadas, mas Dona Nadir continuou:
- Imaginem, eu pobre, todo dia, todo dia no tanque lavando os lençois! Conversava com ele pra resolver o problema, só que não adiantava, todo dia, todo dia acontecia e era aquela coisa: não conseguia dormir a noite e durante o dia tinha que trabalhar dobrado pra lavar tudo… estava até ficando doente…
E um mal-estar foi crescendo no público, alguns pediram baixinho ao Pastor que interrompesse D.Nadir já que haviam crianças presentes, mas o pastor era muito sábio e resolveu não intervir.
E D. Nadir continuou:
- Era assim: todo dia, todo dia… todo dia, todo dia e foi então que conheci Jesus, orei muito e meu marido, o meu marido vocês sabem… o meu marido nunca mais fez xixi na cama!
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A noite, quando todos na casa já estavam dormindo abri a porta de meu armário, estudei cautelosamente o espaço e meu peito se encheu de esperança quando percebi que caberia facilmente dentro dele…
Infelizmente, quando fechei a porta, nada aconteceu.
O que é mesmo uma pena, pois ir morar num mundo cheio de magia, onde os animais falam era tudo que eu queria!
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Acordou de um sono sem sonhos e ainda deitada certificou-se da realidade: era quase Natal.
Não havia alegria no ar, nem surpresas embaixo da árvore…
Seria apenas mais um dia.
Perguntou-se onde estaria a “magia” que acompanhou todos os Natais de sua infância.
Desejou secretamente que existisse Papai Noel.
Após tentou dormir novamente, quem sabe sonhar…
Mas era tarde demais para voltar, muito tempo havia se passado, não conseguiria dormir e tão pouco voltar a ser criança.
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Tenho vizinhos estranhos, muito estranhos.
Nunca os vejo; são seres noturnos, no meu quarto ouço sons esquisitos de madrugada vindo da casa deles. Aos sábados e domingos, ao amanhecer fazem barulhos com pás como se estivem fazendo buracos no quintal. Há também os dias que ouço sons de crianças chorando - os mais otimistas dizem que são os gatos.
O fato é que para aumentar ainda mais as minhas suspeitas dias desses ocorreu a seguinte situação:
23h horas, numa noite muito quente, estava chegando cansada do trabalho e ao abrir a porta me deparei com minha mãe de pijama, segurando em uma das mãos uma sandália de borracha e na outra um inseticida;
- Tá doida Mãe? Vai aonde essa hora?
Ela com os olhos brilhando como se estivesse hipnotizada respondeu rapidamente enquanto caminhava para o quintal:
- As baratas estão invadindo nossa casa!!!
Em seguida pude compreender do que se tratava - baratas gigantescas estavam atravessando o muro e vindo em nossa direção.
Fiquei paralisada enquanto minha mãe exterminava as danadinhas com varias chineladas e cheringadas de veneno.
Bem mais tarde, quando estava finalmente indo dormir, entrei no meu quarto e lá estava: uma barata!
Ficamos as duas imóveis, ela mexendo as antenas e eu pensando em como me livrar daquele bicho asqueroso.
Não haveria tempo para pegar o veneno, seria arriscado deixá-la sozinha, num ato de coragem retirei o chinelo do pé direito, mirei e atirei-o… Porém, ela era ágil, escapoliu da chinelada e tentou me atacar correndo em minha direção.
Avaliei rapidamente a situação e saltei para um lugar mais seguro: minha cama!
Frente à situação perigosa tive que ser ainda mais corajosa, segura, madura e equilibrada, comecei a gritar:
- Manhê! Socorroooo, tem uma barata no meu quarto!!
E é claro que fui imediatamente socorrida de forma eficiente.
Passado o susto e já em segurança, perdi o sono imaginando o que estaria acontecendo naquela casa:
Seria alguma experiência diabólica? Ou algo tão terrível que fez até mesmo o pior dos insetos fugir? Ou apenas mais uma conspiração alienígena?
Apesar dessa historia me dar calafrios, ficarei atenta, alguém precisa defender o Planeta dos malfeitores - e ninguém melhor do que uma pessoa destemida como eu!
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