Lapsos…

 
 
 
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    “É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.” (Clarice Lispector)
 
O crime por GeSa em 28 de Novembro de 2006
Tempos atras baixou da internet uma apostila com crônicas de Rubem Alves, gostava de dizer que era uma de suas maiores preciosidades.
Numa noite chuvosa, aconchegou-se ao lado do marido e sob as cobertas quentinhas, acendeu a luminaria e começou a lê-las.
Rubem Alves é um daqueles escritores que tem o dom de fazê-la viajar, porém, quando a viagem começa logo é interrompida por um ruído: iiicckkk!
Tentou se concentrar, mas não adiantava, o som era seguido também de um leve tremor na cama. Evidente que não era um terremoto, tratava-se de um marido soluçante!
Depois de alguns instantes sob a tortura incessante, começou a imaginar um meio de acabar com ele: o soluço é claro!

Desmaios por GeSa em 1 de Novembro de 2006

Naqueles dias em que faz muito calor e não há sequer um leve sopro de ar fresco, acontecem os desmaios…
Tudo costuma acontecer muito rápido, as sensações vem em turbilhão, os lábios começam a formigar, sente na boca um gosto azedo, um zumbido no ouvido, as coisas ao redor vão ficando nebulosas e por fim tudo desaparece.
Geralmente acorda instantes depois, num outro lugar, cercada de olhares.
A situação é desagradável, desconfortável e constrangedora. Entretanto, sempre existe um porém, é justamente neste momento em que as vezes ela sente algo inigualável: o doce sabor de estar presente na ausência.
Não é como quando se está sozinho, nem como quando se está dormindo… resquícios de consciência a deixam escutar o que acontece a sua volta e talvez a imaginação complete o quadro, assim as vezes é como se estivesse fora de seu corpo, sendo mera espectadora do seu próprio destido.