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    “É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.” (Clarice Lispector)
 
A abdução por GeSa em 25 de Agosto de 2007
Numa madrugada gelada meu marido acordou num sobressalto, eu não estava deita ao seu lado… Rastreou rapidamente o quarto e me encontro de pé, olhando sorrateiramente por uma pequena abertura na cortina da grande janela lateral, intrigado perguntou:
- O que estas fazendo aí mulher?
A resposta veio num sussuro:
- Vendo a casa ser abduzida!
Na manhã seguinte, ele se divertiu contando pra mim o incidente… e eu num flash me lembrei de tudo…
Ele jura que eu estava sonhando… E eu faço de conta que acredito ter sido só um sonho.

Gritos por GeSa em 20 de Agosto de 2007
Alguns dos que convivem diariamente com a chamada “loucura” em um hospital psiquiatrico consideram torturantes os gritos e a lamúria.
Eu não, o que me encomoda não são os gritos, o que me encomoda é o silêncio que vem depois deles, o maldito silêncio entre um grito e outro.
Enquanto há grito e choro, estou certa que existe vida, que existe luta…
Eca por GeSa em 14 de Agosto de 2007
Como é sabido eu gosto de observar pessoas…
Não mente poluída, não se trata de voyerismo, é coisa da minha profissão, conhecer para compreender! Sacou?
Então, voltando à história, estava estacionada na praça da minha cidade e imediatamente meus olhos famintos e curiosos avistaram um senhor, sentado numa calçada próxima, mau vestido e com um olhar triste, fixo.
Percebi que ele se levantou, deu dois passos, juntou algo pequeno do chão e voltou a se sentar.
Elevou sua mão calejada e observou interessado o objeto sob a luz do sol, era um palito de fósforo.
Rapidamente e com muita habilidade, enfiou o palito no nariz, retirou, estudou cuidadosamente o conteúdo obtido e continuou o processo de limpeza do salão! Bem ali, em plena luz do dia!
Eca, eca, eca… Mil vezes Eca!!

Voar é fácil, difícil é parar por GeSa em 6 de Agosto de 2007
Dizem que o sonho é uma forma de ensaiar a realidade.
Eu sempre quis voar, sempre sonhei com isso… não de asa-delta ou avião, queria voar de verdade, sozinha!
Pular na cama elástica me proporcionou uma sensação muito próxima do que eu imagino seria a de voar.
Nos milésimos de segundos que estava suspensa no ar, entre um pulo e outro, tudo mudava de cor e ritmo, era fantástico!
O interessante é que nunca em nenhum dos meus mais profundos devaneios eu imaginei as aterrissagens, assim, as subidas eram fáceis, as descidas é que se revelaram desajeitadas…
No ritmo frenético dos saltos cada vez mais rápidos, inebriada pela fantasia de voar, nem percebi que as descidas foram ficando ainda mais atrapalhadas, culminando numa torção de tornozelo.
Parece que houve um rompimento de ligamento, eu não sei direito o que ele ligava não, mas doeu pra caçamba e ficarei com a “patinha” imobilizada por 5 dias.
Alegria de pobre, dura pouco…
Ah! E antes que eu me esqueça: tive infancia sim, tá?!