Era segunda-feira de manhã e resolvi aproveitar a carona dele para ir ao centro de Floripa fazer umas comprinhas.
Na volta, carregada de sacolas aconteceu o seguinte incidente:
Caminhava apressada, havia pouco movimento, as pessoas, assim como eu, andavam na calçada procurando um pouco de frescor na sombra.
Estava muito quente e a unica coisa em que conseguia pensar era na chuva, na praia, em água. Queria chegar em casa rapido, cada milimetro do meu corpo estava seco, me sentia como um planta precisando ser regada. Banho, esse era o nome da minha vontade.
Foi então que tive que diminuir o passo, na minha frente estava um casal de velhinhos. Fiquei maravilhada: estavam de mãos dadas, tinham cabelos brancos, ritmo lento e roupas que pareciam do século passado. Instantaneamente esqueci do banho e fiquei encantada, imaginando a vida que levaram juntos, as alegrias e tristezas que devem ter vivido, os filhos, netos, talves bisnetos…
Repentinamente meus pensamento foram interrompidos por um som abafado, o senhorzinho tossia, tossia e tossia: Uma tosse feia, doída.
Num instante me lembrei que aquele poderia ser um anuncio do fim de uma vida, que sua companheira ficaria sozinha e me entristeci por ela.
Como a tosse não cessou e não consegui evitar a tristeza, resolvi ultrapassa-los bem de pertinho para poder olhar para tras, ver seus rostinhos enrrugados e voltar a pensar no banho que tomaria em casa.
Quando estava praticamente ao seu lado a tosse ficou mais aguda e rapidamente grave o que culminou com uma escarrada em direção ao chão e pude sentir em minhas canelas pequenas goticulas mornas e molhadas.
E a vontade transformou-se em necessidade, agora mais do que nunca, precisava de um banho URGENTE!!!
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