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    “É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.” (Clarice Lispector)
 
Mais “uma” de ônibus por GeSa em 27 de Junho de 2006

Instantes antes do Jogo do Brasil, onibus lotado, todos com muuuiiitaaa pressa para chegar em casa, era preciso fazer um malabarismo para percorrer o apertado corredor que ia até a porta de saida.
De oculos escuros, jeans, tamancos e algumas sacolas olhou friamente o aglomerado de pessoas, respirou fundo e iniciou o percurso temendo não conseguir conclui-lo antes da parada…
Entre um “dá licença” e outro, pequenos chegas-pra-lá e diversos apertos, sentiu que seu pé esquerdo ficou preso em algo no caminho, antes mesmo que pudesse olhar o que estava acontecendo o onibus freia bruscamente e ela é lançada para frente e para tras junto com a multidão.
Ficou aliviada por não ter caído, porém, percebeu que havia algo errado e quase imediatamente descobriu que ele havia desaparecido… quando o pé se soltou o tamanco ficou perdido em meio a dezenas de pés desconhecidos.
Desesperada começou a procura-lo sem sucesso, pensou em gritar “alguém viu um tamanco avulso??”, imaginou-se andando na rua e chegando em casa com um pé descalço, táfundo-táraso-táfundo-táraso, imaginou também seu tamanco sozinho: perdido ou fugido?…Praticamente quando havia desistido, sentiu um cutucão: um velhinho que estava sentado apontou para o dito, virado, embaixo de um banco. Ainda estava quente quando voltou para o pé que saiu pisando firme.
Foi impossivel controlar o riso, mesmo a caminho de casa… possivelmente quem a viu, achou estranho alguém rindo descontroladamente sozinha, mas ela sabia: havia perdido seu tamanco no onibus, sua vida era uma comédia!

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