Instantes antes do Jogo do Brasil, onibus lotado, todos com muuuiiitaaa pressa para chegar em casa, era preciso fazer um malabarismo para percorrer o apertado corredor que ia até a porta de saida.
De oculos escuros, jeans, tamancos e algumas sacolas olhou friamente o aglomerado de pessoas, respirou fundo e iniciou o percurso temendo não conseguir conclui-lo antes da parada…
Entre um “dá licença” e outro, pequenos chegas-pra-lá e diversos apertos, sentiu que seu pé esquerdo ficou preso em algo no caminho, antes mesmo que pudesse olhar o que estava acontecendo o onibus freia bruscamente e ela é lançada para frente e para tras junto com a multidão.
Ficou aliviada por não ter caído, porém, percebeu que havia algo errado e quase imediatamente descobriu que ele havia desaparecido… quando o pé se soltou o tamanco ficou perdido em meio a dezenas de pés desconhecidos.
Desesperada começou a procura-lo sem sucesso, pensou em gritar “alguém viu um tamanco avulso??”, imaginou-se andando na rua e chegando em casa com um pé descalço, táfundo-táraso-táfundo-táraso, imaginou também seu tamanco sozinho: perdido ou fugido?…Praticamente quando havia desistido, sentiu um cutucão: um velhinho que estava sentado apontou para o dito, virado, embaixo de um banco. Ainda estava quente quando voltou para o pé que saiu pisando firme.
Foi impossivel controlar o riso, mesmo a caminho de casa… possivelmente quem a viu, achou estranho alguém rindo descontroladamente sozinha, mas ela sabia: havia perdido seu tamanco no onibus, sua vida era uma comédia!
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